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Introdução
Nos anos 1980, o Campeonato Mundial de Rally (WRC) viveu sua era mais selvagem: o lendário Grupo B. Era um tempo de excessos, onde fabricantes criavam máquinas quase sem limites, com potências absurdas e tecnologias avançadas. Entre os titãs como Audi Quattro S1, Peugeot 205 T16 e Lancia Delta S4, surgiu um carro britânico que parecia deslocado — pequeno, quadrado e com cara de hatch urbano. Mas por trás da aparência modesta, o MG Metro 6R4 escondia uma engenharia brutal e uma proposta ousada: competir de igual para igual com os supercarros do rally.
Origem e Desenvolvimento
O Metro nasceu como um carro urbano compacto, lançado pela Austin em 1980 para suceder o Mini. Em 1982, passou a ser vendido como MG Metro, com versões esportivas como o Turbo e o 1300. Mas foi em 1984 que a história mudou radicalmente. A equipe Williams Grand Prix Engineering, famosa na Fórmula 1, foi contratada para desenvolver uma versão de competição extrema: o Metro 6R4 — sigla para “6 cilindros, Rally, 4 rodas motrizes”.
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A ideia era simples e ambiciosa: transformar um hatch urbano em um carro de rally com tração integral e motor central. Para isso, o Metro foi completamente redesenhado. A carroceria foi alargada, recebeu aerofólios agressivos e entradas de ar funcionais. O chassi foi reforçado e adaptado para suportar o novo conjunto mecânico.
Motor V6 Aspirado: Uma Escolha Incomum
Enquanto os rivais apostavam em motores turboalimentados, o 6R4 seguiu um caminho diferente. Equipado com um motor V6 aspirado de 3.0 litros, desenvolvido internamente pela Austin Rover, o carro entregava cerca de 410 cv em sua versão de competição. O motor era montado em posição central, logo atrás dos bancos dianteiros, o que garantia excelente distribuição de peso.
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Essa escolha tinha vantagens: resposta imediata ao acelerador, confiabilidade e menor complexidade. Por outro lado, o motor aspirado não acompanhava o crescimento de potência dos rivais turbinados, que chegavam a ultrapassar os 500 cv.
Curiosamente, esse motor V6 seria mais tarde adaptado para outro ícone britânico: o Jaguar XJ220, um dos supercarros mais rápidos dos anos 1990.
Tração Integral e Suspensão Avançada
O 6R4 contava com tração nas quatro rodas, essencial para competir no Grupo B. O sistema foi desenvolvido com base na experiência da Williams em corridas, e permitia excelente tração em pisos variados — de neve a cascalho.
A suspensão era independente nas quatro rodas, com curso longo e ajuste fino, ideal para enfrentar os terrenos extremos do rally. O carro também tinha freios a disco ventilados e um câmbio manual de cinco marchas com relações curtas, privilegiando aceleração.
Estreia e Desempenho no WRC
O MG Metro 6R4 estreou oficialmente no Rally da Grã-Bretanha em 1985, com desempenho promissor: David Llewellin terminou em terceiro lugar, atrás apenas dos consagrados Lancia e Audi. A expectativa era alta para a temporada seguinte.
No entanto, 1986 trouxe desafios. Problemas de confiabilidade afetaram o motor V6, e o carro não conseguiu acompanhar o ritmo dos rivais turbinados. Além disso, o Grupo B foi abruptamente encerrado no final daquele ano, após acidentes fatais que levantaram preocupações sobre a segurança dos carros.
Com o fim do Grupo B, o 6R4 perdeu seu espaço no WRC. Ainda assim, continuou competindo em campeonatos nacionais e provas de rallycross, onde sua robustez e tração integral se destacavam.
Versões e Produção
Para homologação no Grupo B, era necessário produzir pelo menos 200 unidades de estrada. Assim nasceu o Metro 6R4 Clubman, versão civil com cerca de 250 cv, interior simplificado e visual agressivo. Embora não fosse um carro prático para uso diário, tornou-se objeto de desejo entre entusiastas e colecionadores.
Ao todo, foram produzidas aproximadamente 220 unidades, incluindo versões de competição e estrada. Hoje, o 6R4 é raro e valorizado, com exemplares restaurados alcançando altos valores em leilões.
Legado e Influência
Apesar de sua curta carreira no WRC, o MG Metro 6R4 deixou um legado técnico importante. Seu motor V6 influenciou o desenvolvimento do Jaguar XJ220, e sua arquitetura serviu de base para projetos futuros da Rover.
Mais do que isso, o 6R4 representa o espírito do Grupo B: ousadia, inovação e paixão pela velocidade. Um carro que desafiou convenções, provando que até um hatch compacto podia se transformar em um monstro de rally.
Conclusão
O MG Metro 6R4 é uma joia rara da engenharia britânica. Com seu motor V6 central, tração integral e visual intimidador, ele enfrentou gigantes em uma das eras mais insanas do automobilismo. Embora tenha sido ofuscado por nomes mais famosos, sua história é rica, cheia de personalidade e merece ser contada.
Hoje, o 6R4 é celebrado como um ícone cult — não apenas pelo que conquistou, mas pelo que representa: a coragem de pensar diferente, mesmo quando todos seguem o mesmo caminho. Um verdadeiro “patinho feio” que virou lenda.
Linha do Tempo: MG Metro 6R4
1980 – Lançamento do Austin Metro
A British Leyland apresenta o Metro como sucessor do Mini, voltado para o público urbano.
1982 – Surge o MG Metro
Versão esportiva do Metro é lançada sob a marca MG, com melhorias visuais e mecânicas.
1984 – Início do projeto 6R4
A Austin Rover contrata a Williams Grand Prix Engineering para desenvolver um carro de rally baseado no Metro, visando homologação no Grupo B.
1985 – Estreia oficial no Rally da Grã-Bretanha
O MG Metro 6R4 faz sua primeira aparição competitiva, conquistando o 3º lugar com David Llewellin.
1986 – Temporada completa no WRC
O 6R4 participa de várias etapas do Mundial de Rally, mas enfrenta problemas de confiabilidade. O Grupo B é encerrado no fim do ano.
1987 em diante – Rallycross e campeonatos nacionais
Com o fim do Grupo B, o 6R4 encontra nova vida em competições locais e rallycross, onde sua robustez e tração integral brilham.
Décadas de 1990–2000 – Culto e restauração
O carro se torna objeto de culto entre colecionadores e entusiastas britânicos. Muitas unidades são restauradas ou modificadas.
Hoje – Ícone do Grupo B
O MG Metro 6R4 é reconhecido como um dos carros mais radicais e únicos da era do Grupo B, valorizado por sua engenharia e raridade.
Perfil Técnico Detalhado
O MG Metro 6R4 foi concebido para ser uma máquina de competição pura, com foco em desempenho, tração e agilidade. Diferente dos rivais que usavam motores turboalimentados, o 6R4 apostou em um motor V6 aspirado, montado em posição central, garantindo resposta imediata e distribuição de peso ideal.
Sua estrutura foi radicalmente modificada em relação ao Metro original. A carroceria foi alargada, reforçada e equipada com aerodinâmica funcional. A suspensão independente nas quatro rodas permitia enfrentar os terrenos mais extremos com estabilidade e controle.
A tração integral, desenvolvida com apoio da Williams, era um dos pontos fortes do carro, oferecendo aderência superior em qualquer superfície. O câmbio manual de cinco marchas tinha relações curtas, favorecendo aceleração em trechos técnicos.
Apesar de não ter alcançado grandes vitórias no WRC, o 6R4 se destacou pela ousadia do projeto e pela performance em rallycross, onde sua confiabilidade e potência o tornaram competitivo por muitos anos.
Ficha Técnica – MG Metro 6R4
Motor
- Tipo: V6 aspirado, 90°
- Cilindrada: 2991 cm³ (3.0 litros)
- Potência:
- Versão Clubman: 250 cv
- Versão Competição: até 410 cv
- Torque: aproximadamente 380 Nm
- Alimentação: Injeção eletrônica
- Posição: Central traseira longitudinal
Transmissão
- Tipo: Manual de 5 marchas
- Tração: Integral permanente nas quatro rodas
- Diferenciais: Central, dianteiro e traseiro com bloqueio
Suspensão
- Dianteira: Independente, duplo braço com molas helicoidais
- Traseira: Independente, duplo braço com molas helicoidais
- Curso longo, ajustável para competição
Freios
- Dianteiros: Discos ventilados
- Traseiros: Discos ventilados
- Sistema hidráulico com repartição de frenagem
Dimensões
- Comprimento: 3.960 mm
- Largura: 1.770 mm
- Altura: 1.320 mm
- Entre-eixos: 2.400 mm
- Peso:
- Clubman: cerca de 1.100 kg
- Competição: cerca de 1.200 kg
Desempenho
- 0–100 km/h: cerca de 3,2 segundos (versão de competição)
- Velocidade máxima: acima de 200 km/h
- Aceleração e tração excepcionais em pisos soltos
Produção
- Total estimado: cerca de 220 unidades
- Clubman (estrada): aproximadamente 200 unidades
- Competição: cerca de 20 unidades
Outros Destaques
- Aerofólios funcionais e entradas de ar para refrigeração
- Painel simplificado com instrumentos de competição
- Estrutura tubular reforçada com gaiola de proteção



